Eu não pertenço a este sítio.
Eu não me recordo de quando tudo parecia certo,
a minha boca calada e os olhos fechados e controlados.
No entanto, recordo-me no mais profundo do meu ser,
que descobri um lugal infernal, e não quero lá voltar nunca mais.
Mas, de alguma forma continuo a alimentar esta dor,
porque o meu coração continua igual.
Está profundamente enterrado no passado,
espero que desapareça com o tempo.
Eu tento não dar importância,
mas pareçe que nunca mais desaparece.
Eu preciso de um coração que continue a bater,
apesar da dor,
quando as paredes voltarem a cair sobre mim.
Dá-me uma alma que nunca pare de procurar
apesar da infecção interna.
Porque eu continuo aqui presa,
entre os culpados e os mentirosos.
As palavras que proferi deixaram-me na solidão.
E assim, por trás das cortinas resigno-me a ficar sozinha.
Devia ter previsto isto.
Agora só desejo que este ruído desapareça da minha cabeça.
As minhas mãos cansadas e quebradas já não conseguem construir nada.
Os fios que ainda me seguram agarrados à minha carne,
definem a minha vontade.
O vazio que eu alimentei deixou-me dormente.
cega pelas luzes do erro,
consigo ver o reflexo do fantasma em que me tornei.
Apesar do que possas encontrar em mim
os falhanços do meu passado continuam presentes.
Só tenho uma conclusão a tirar:
Se isto é todo o amor que o meu espírito consegue dar,
não existe mais razão para eu viver.
Nesta vida vazia
vou-me manter perto do chão.
Enquanto as paredes caem sobre mim,
eu fecho os olhos
e vou encontrar uma forma de sobreviver
a esta vida vazia.
Eu sei que sentes que é sempre a mesma coisa,
mas eu prometo que vou mudar.
É algo que eu busco e vou-me esforçar.
Eu sei que não sou perfeita, e que esta dor ainda preciste,
mas tu trouxeste-me para um caminho melhor.
É tudo o que eu sempre pedi e não vou desperdiçar.
Quando os atilhos que prendem o meu coração se desatarem
eu esperarei por ti.
Antes de fazer a minha última caminhada
eu ficarei contigo.
Não existe mais nada. O medo desapareceu.
Finalmente abri os olhos
e vou celebrar a vida.
A liberdade começa quando nos libertamos da jaula que criámos para nós mesmos.
*The measured duration of an event.
14.12.09
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